25 agosto 2013

Na Companhia das Estrelas

Nome original: The Dog Stars
Autor:Peter Heller
Editora: Novo Conceito
Ano: 2013
N° de páginas: 408
Categoria: Ficção Científica
Narrador: Personagem

Sinopse:

Em um mundo devastado pela doença, Hig conseguiu escapar à gripe que matou todo mundo que ele conhecia. Sua esposa e seus amigos estão mortos, e ele sobrevive no hangar de um pequeno aeroporto abandonado com seu cachorro, Jasper, e um único vizinho, que odeia a humanidade, ou o que restou dela.
Mas Hig não perde as esperanças. Enquanto sobrevoa a cidade em um avião dos anos 1950, ele sonha com a vida que poderia ter vivido não fosse pela fatalidade que dizimou todos que amava. Hig é um guerreiro sonhador. E tem uma imensa vontade de gente, apesar da desilusão que se abateu sobre ele. Por isso é capaz de arriscar todo seu futuro quando, um dia, o rádio de seu avião capta uma mensagem ...

Resenha:
Se algum dia eu acordar gritando no meio de um sonho, não que alguma vez eu já tenha feto isso, é porque todas as trutas acabarm. As do tipo brook, as arco-íris, as marrons, as cutthroats, as cutbows, todas.
Demorei um pouco para me acostumar com o modo de narração. Apenas.
É um mundo pós-apocalíptico muito próximo da verdade. Doenças. Fome. Destruição. O calor. E a solidão.

Num primeiro instante, associei o livro ao filme com Will Smith, Eu Sou a Lenda. Por causa do apocalipse, inicialmente, além do cachorro, mas depois o associei com a solidão. A forma com Heller descreve a solidão de Hig após perder todos a quem amava, dói na alma. A sensação de que está morto, pois os que realmente importam não estão mais lá. E não é assim, na verdade? Quando uma pessoa próxima se vai, não é assim que nos sentimos ? Como se nada mais fosse certo?
Inventei constelações. Criei uma para o Urso e para o Capricórnio, mas talvez não onde elas devessem estar. Criei uma para os animais que já existiram, os que conheço. Também criei uma constelação para Melissa, seu eu completo está ali, meio que sorrindo, alta, olhando para mim aqui embaixo, nas luzes do inverno. Olhando para mim enquanto a geada enruga meus cílios e infiltra-se em minha barba. Fiz uma constelação para o pequeno Anjo.

Hig, mesmo indo contra a lógica de qualquer sobrevivente, visita as famílias, como ele chama as pessoas que contraíram a doença. Ele os ajuda e vice e versa. É uma companhia. Diferente, estranha, mantendo uma distância de cinco metros. Mas é esta sua atitude, visitar pessoas que estão morrendo, que já perderam a esperança, que o torna vivo. Que o transforma em alguém que se importa com outro. E vai ver é neste pequeno mundo que habita em seu coração que Hig, Big Hig, consiga ser quem ele nunca deixou de ser. Com as lembranças de uma vida que tivera, com a vontade de ter as grandes oportunidades.  E há os grupos de sobreviventes. Pessoas cruéis, assassinas, estupradoras, que não buscam apenas a sobrevivência, tal como Hig ou Bangley, mas buscam ter a sua maldade no ápice, e o prazer em ponta. Eles estão em um mundo que morre. Não apenas a população, não apenas os animais, mas o mundo em si está morrendo. E eles, Hog e Bangley, buscam viver apenas mais algum tempo, como todos nós.

É o que somos, o que fazemos: caímos em uma rede e empurramos, uma rede que não existe. Os nós da trama são tão fortes quanto nossas crenças. Nossos medos.

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